quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um dia...por que não?






"Um dia, quando a única regra for a ternura da manhã
acordarei entre os teus braços, a tua pele será talvez demasiado bela,
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno ficar tão distante,
quando o frio responder devagar com a voz arrastada de um velho,
estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela.
Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra,
para não estragar a perfeição da felicidade."
José Luís Peixoto

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