Uma família. Tudo giro. Um cão a condizer. Uma carrinha. Harmonia. E um PPR que protege aquela felicidade toda, como um anjo da guarda. Pode dar-se o caso de o pai ser um filho da ** do pior e da magia já ter regressado à terra do Mago Merlin há anos. Mas a lindíssima mãe tolera tudo. Umas vezes enfastiada. Outras esperançada. “Por causa dos filhos”. Por causa dos filhos? Não.
Por causa de uma imagem. Porque aos domingos, mesmo que a semana tenha sido miserável, sobe ao palco a pequena encenação da publi-felicidade. No teatro de um restaurante. Quem sabe, de uma esplanada à beira-mar.
E se uma pessoa se revela menos feliz, macambúzia, pensativa, preocupada, sei lá, ai, cuidado, coitada, pode estar deprimida. Que horror. E agora? No emprego, deprimida? Sair connosco, deprimida? Pode não se rir das piadas idiotas do Fulano. Já não há harmonia no nosso jantar. Ai Jesus.
Que diabo, a felicidade não é uma linha recta.

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