terça-feira, 24 de maio de 2011

Ainda espero o amor






Ainda espero o amor
como no ringue o lutador caído 
espera a sala vazia 





primeiro vive-se e não se pensa em nada
não me digam a mim
com o tempo apenas se consegue
chegar aos degraus da frente:
é difícil
é cada vez mais difícil entrar em casa 




não discuto o que fizeram de nós estes anos
a verdade é de outra importância
mas hoje anuncio que me despeço
à procura de um país de árvores 




e ainda se me deixo ficar
um pouco além do razoável
não ouvem? O amor é um cordeiro 
que grita abraçado à minha canção





José Tolentino Mendonça
 
 
 

 

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